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Entenda sobre o estágio ESG do setor supermercadista brasileiro

As perspectivas sociais, ambientais e de governança são consideradas de extrema importância e relevância para 91% das empresas supermercadistas brasileiras quando se discute o crescimento ou a continuidade dos negócios. 

Entretanto, pouco mais da metade (54%) oferece treinamentos regulares sobre o tema para a liderança e funcionários. Essas conclusões constam na Pesquisa de Diagnóstico ESG (Índice Ambiental, Social e Governança), realizada pela Associação Brasileira dos Supermercados (ABRAS), em parceria com a empresa de auditoria KPMG, que avalia o conhecimento, o nível de maturidade e as iniciativas empregadas pelo setor em relação às práticas ESG.

O que é ESG?

O acrônimo ESG, do inglês, Environmental, Social and Governance (e em português Ambiental, Social e Governança), refere-se a uma tendência e necessidade atual. É uma resposta das empresas frente aos desafios da sociedade contemporânea. Valoriza as questões relacionadas às temáticas presentes na sigla, buscando aliar a preocupação com elas e a geração de valor econômico.

O ESG, afinal, é um conjunto de padrões e boas práticas para conseguir definir se uma empresa é socialmente consciente, sustentável e corretamente gerenciada. É uma maneira eficiente de medir o desempenho de sustentabilidade de uma organização, no qual os fatores meio-ambiente, sociedade e governança são critérios de avaliação. 

Vamos conhecer alguns exemplos de exigências de cada um desses critérios. 

Ambiental

Busca entender o controle exercido pela empresa quanto às terras que possui, se há ações para melhorar e preservar a biodiversidade etc.

  • Gestão de resíduos;
  • Política de desmatamento (caso aplicável);
  • Uso de fontes de energia renováveis pela empresa;
  • Posicionamento da empresa em relação a questões de mudanças climáticas.

Social

Busca entender como a empresa preza pelo bem-estar dos funcionários. Também, a relação com fornecedores (relação a trabalho infantil, trabalho escravo, atuação em áreas desmatadas ou queimadas), promovendo transparência.

  • Taxa de turnover;
  • Plano de previdência para os funcionários;
  • Nível de envolvimento dos funcionários com a gestão da empresa;
  • Benefícios e vantagens oferecidos aos funcionários, além do salário;
  • Salários justos em relação ao mercado.

Governança

Busca entender se a gestão executiva e o conselho administrativo atendem aos interesses das várias partes interessadas da empresa — funcionários, acionistas e clientes.

  • Transparência financeira e contábil;
  • Relatórios financeiros completos e honestos;
  • Remuneração dos acionistas.

Pesquisa da ABRAS e empresa de auditoria

O estudo aponta que, em geral, o nível de conhecimento sobre e envolvimento com a agenda ESG no setor supermercadista é bastante alto. A amostra do diagnóstico é composta por 354 empresas. 

Na perspectiva ambiental, de um total de nove aspectos avaliados, apenas um teve menos de 25% de respondentes com conhecimento sobre o tema – a redução de emissões de gases do efeito estufa. Já no âmbito social, o único ponto observado com baixa pontuação em um total de 15 itens foi sobre certificação de práticas sociais de fornecedores. A área de governança, no entanto, é a que apresenta maior espaço para melhoria uma vez que, dentre 16 tópicos, quatro registraram baixo conhecimento dos respondentes.

Agenda ESG no setor

“Com esta pesquisa, bastante abrangente com relação ao setor supermercadista nacional, conseguimos orientar melhor os envolvidos na implantação, na melhoria e na evolução da agenda ESG. Afinal, é um compromisso da ABRAS gerar este conhecimento e divulgar para o varejo, indústria e consumidores”, comenta João Galassi, presidente da associação.

“A agenda ESG se refere à gestão de tais aspectos — sociais, ambientais e éticos — conectados com as atividades e decisões cotidianas dos negócios, reunindo iniciativas que alinham lucro, compromisso com a construção de uma sociedade mais inclusiva e transparência. São decisões que impactam diretamente as pessoas e a sociedade, como a redução da poluição, pobreza e da discriminação, por exemplo”, completa a sócia-líder de ESG Advisory da KPMG no Brasil, Nelmara Arbex.

A pesquisa indica que o nível é satisfatório em termos de iniciativas. Na perspectiva ambiental, quatro de nove aspectos registram mais de 50% de respostas que afirmam a existência de iniciativas e indicadores. A mesma proporção pode ser observada no recorte social, com nove de 15 itens com ações afirmativas.

“Naturalmente, essa pauta reflete em iniciativas, indicadores e metas que precisam ser consideradas e respeitadas no planejamento da companhia, influenciando até mesmo em resultados financeiros. Se, por um lado, investidores levam em conta estes fatores quando avaliam riscos de um negócio, por outro os consumidores também querem mais informações para escolher o que comprar e de quem comprar”, diz o sócio-líder de Consumo e Varejo da KPMG no Brasil e na América do Sul, Fernando Gambôa.

Maturidade em ESG ainda precisa melhorar

A respeito da maturidade das empresas a respeito da aplicação da agenda ESG, a pesquisa aponta nível baixo nos três indicadores. Apenas duas das nove metas ambientais analisadas contabilizam mais de 50% de resposta positiva. No âmbito social, foram sete acima dessa média, de um total de 15. Na perspectiva de governança, o desempenho foi ainda menor, com apenas seis de em 16 pontos com mais de 50% dos respondentes indicando ter metas para práticas de transparência na empresa.

“Isso evidencia que os negócios de futuro, para serem bem sucedidos, dependem de vários fatores que são diretamente afetados pelas questões sociais e ambientais. Porém, é ainda mais urgente entender como a empresa está conectada com os aspectos ESG. É inegável que as varejistas que souberem direcionar os negócios nesse contexto conseguirão melhorar a competitividade, atrair mais investimentos e expandir oportunidades”, analisa Marcio Milan, vice-presidente Institucional e Administrativo da ABRAS.

Fonte: ABRAS/SuperHiper/TOTVS

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